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Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Hoje é o dia Internacional da não violência contra a mulher

A data foi escolhida para lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.
Em 25 de novembro de 1991, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher,que propôs os 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres, que começam no 25 de novembro e encerram-se no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948. Este período também contempla outras duas datas significativas: o 1o de Dezembro, Dia Mundial da Luta contra a AIDS e o dia 6 de Dezembro, Dia do Massacre de Montreal.
Em março de 1999, o 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
É um dia para nao se esquecer das injustiças e garantir que mais mulheres não sofram com a violência. É também um dia para reforça a luta por uma sociedade mais justa, igualitária e onde todos possam viver plenamente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Luta!

Como não só de reflexão interior sobrevive a sociedade, vou colocar aqui um texto que escrevi junto com uma amiga sobre a situação dos trens da central. Ele saiu no jornal A verdade desse mês (nº111) que é uma imprensa popular que denuncia a exploração e desigualdade da nossa sociedade.

A saga dos usuários da Central do Brasil

No dia 7 de outubro, quando uma composição enguiçou próximo à estação de Nilópolis, na Baixada Fluminense, os passageiros, sem informação do que ocorria, saltaram na via férrea e fizeram um protesto no local. O problema com os trens se espalhou para outras estações, e a confusão tomou conta dos ramais da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Um vagão de trem foi queimado, a estação de Nilópolis foi toda quebrada e a repressão policial foi intensa.

Usuários denunciam: "Mais uma vez, o problema se repete. O trem do ramal Saracuruna - Central do Brasil, que ia no sentido Central, enguiçou e fez com que eu, assim como centenas de outras pessoas, nos expuséssemos a uma série de riscos. Além de termos que desembarcar no meio da linha férrea, tivemos que andar por cerca de cinco minutos pelos trilhos que cortam uma das áreas mais perigosas do Grande Rio.", afirma Victor Lima. Da mesma forma, Luciene Marcelino aponta de quem foi a culpa - “Às 8h, começou o tumulto porque não devolveram o dinheiro e os passageiros não conseguiam sair da estação. Esta é a realidade que vivemos com a Supervia. O desrespeito é geral. E um dos seguranças surgiu com um cão, enquanto policiais circulavam com fuzis no meio do pessoal. Hoje foi em grande escala, mas todo dia acontece alguma coisa assim".

Em declaração sobre o que ocorreu, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), acusou os usuários dos trens de vândalos e vagabundos e que todos deveriam ser presos. Os trabalhadores, indignados, são diretos na resposta - “Eu acho que ele (o governador) deveria andar de trem antes de falar uma asneira dessas. Para quem não anda de trem é mole, andar de motorista é mole, quero ver pegar o trem de manhã lotado indo trabalhar e o trem não sair do lugar, ficar o maior tempão e a pessoa estar arriscada ainda a perder o emprego por causa do meio de transporte. Ele não está ajudando em nada.” diz Leandro Lisboa, usuário do trem. Já, Camila Oliveira, usuária do trem e trabalhadora do mercado da Central, fala que “Ninguém é vagabundo e ninguém tem que ser preso. Todo mundo está ali para trabalhar. Ele quer que todo mundo fique calmo com a situação. Ele não depende de trem para ir trabalhar.”, e Neide Costa da Silva é enfática - “Eu acho que ninguém devia ser preso. Quem deve ser preso é ele.”

No dia seguinte desses acontecimentos, o mesmo fato ocorreu na gare da Central do Brasil. Após novos problemas operacionais, a Central foi fechada deixando vários passageiros sem ter como voltar para casa. Revoltados os usuários gritavam “Fora Cabral!”. Para dispersar a multidão ocorreu uma grande repressão, em que a policia usou gás de pimenta e balas de borracha.

Leandro nos relata sobre essa situação - “um amigo meu, que trabalha comigo, estava vindo para cá e não o deixaram passar. Ele tentou correr no sentido contrário para sair da confusão e tomou um tiro de borracha na mão. Ele vai ter que ficar um tempo sem trabalhar.”

Velhos problemas, velhas soluções

Em 1941, há 68 anos, o cantor de rádio Roberto Paiva lançava uma marcha de Carnaval que ficou famosa pela força da sua verdade, “O trem atrasou”. Em apenas duas estrofes, os compositores Paquito, E. Silva e A. Vilarinho resumem o dia a dia do trabalhador obrigado a usar este meio de transporte:

Patrão, o trem atrasou
Por isso estou chegando agora
Trago aqui um memorando da Central
O trem atrasou, meia hora
O senhor não tem razão
Pra me mandar embora !
O senhor tem paciência
É preciso compreender
Sempre fui obediente
Reconheço o meu dever
Um atraso é muito justo
Quando há explicação
Sou um chefe de família
Preciso ganhar meu pão
E eu tenho razão.

A história se repete, mas em forma de tragédia, e a resposta que se dá à indignação da população é a repressão, o descaso do governo e nenhuma solução. Vimos na greve dos ferroviários (A Verdade 105), que aconteceu no início deste ano, a denúncia do estado em que se encontravam os trens, o alerta que fazia o Sindicato dos Ferroviários de que acidentes graves poderiam acontecer na Supervia e, agora, a situação chega ao extremo, confirmando as apreensões dos sindicalistas.

Os trens são um transporte público, uma concessão do Estado para a Supervia administrar. Ao contrário do que parece, a Supervia não é dona dos trens, e sim presta um serviço, que nunca é regulado pelo Estado. Prevalece, portanto, a lei do lucro, e ela tem como finalidade única e exclusiva a segurança para o capitalista, dono da empresa, de que seus ganhos estarão garantidos sob quaisquer circunstâncias, independentemente se as necessidades mais básicas do povo estão sendo atendidas ou não. Ao governador compete, como representante e marionete desses interesses, manter a população sob cerco policial, obrigando-a a se submeter às mais indignas condições para que essa rotina não seja subvertida. Dessa maneira vivem os trabalhadores, produtores de toda a riqueza apropriada pelos capitalistas, mas os únicos capazes de transformar essa realidade favoravelmente aos seus interesses. Isso é um fato, quem viver, verá.

Gabriela Gonçalves e Nathália Lardosa


Mais informações : A Verdade um jornal dos trabalhadores a serviço da luta pelo socialismo

domingo, 8 de novembro de 2009

sem título

Numa noite que deu tudo errado, de uma forma confusa se sentiu feliz
quando entrou no mar
quando pisou na areia e a liberdade era quase visível,palpável
e no melhor lugar do mundo viu o nascer do sol,
cada gota que transformava tudo em transpiração
e no horizonte o dia se formava,
brigando com a noite que ia embora, sem querer ir

Quando se deu conta estava no meio,
no meio de algo que não sabia ao certo, só estava,
e o dia trouxe também suas inquietudes, seu vazio,
sentiu-se perdida quando chegou em casa,
não sabia o que tinha, nem como ficar ou ir embora
sabia apenas que havia saído do exato lugar que estava serena,
para outro mais complexo e confuso.Como tinha chegado ali?

Talvez a grande excitação e busca por mais adrenalina,
qualquer coisa forte que a tirasse da misera rotina fatigante,
como uma droga pra se sentir viva, no momento o auge, depois uma grande queda,
e a vontade de buscar esse sentimento de novo, e de novo, e de novo ...

Ela acordou vazia.
seus pensamentos indo e vindo, querendo achar uma resposta,
que naquele momento não tinha
sentia falta, "um apego fácil a qualquer coisa que lhe despertava o desejo"¹
e no caminho mais uma tropeço,
talvez estivesse partindo direto para mais uma queda,
sem ninguém para segura-lá
sabia que o descomprometimento era seu melhor amigo nessa hora.
e se descomprometeu em querer mostrar algo.




¹- Referencia a musica sereníssima do Legião urbana

domingo, 1 de novembro de 2009

sobre a felicidade

Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar. Ela me advertia com seu olhar de madrepérola. Eu não entendia. Ser feliz para mim era sair de casa, depois da cidade, depois do estado e, se possível, do país. Acreditava que quanto mais longe do início mais perto do final. Julgava a independência um modo de fugir. Descobri que estava errado. Quanto mais longe do final mais perto do começo. Nada mais alto, banal e humano do que dizer: "eu sei ser feliz". Dor, susto, drama e tragédia, a gente já nasce sabendo. Saber ser feliz exige décadas para entender e, ao mesmo tempo, pede tão pouco. Ficar horas conversando abraçados. Não depender de lugares famosos, de restaurantes, de aventuras exóticas para contar depois. A felicidade é uma impressão, uma intensidade, que não há como descrever para os amigos. Muitas vezes, se vive somente para relatar o quanto nossa vida é impressionante, mas lá no fundo persiste uma mágoa desconfiada de não vivermos o que realmente desejamos. O que desejamos não se diz, se arde. Saber ser feliz é se deliciar com bobagens e lembranças, brincadeiras e com a proximidade do corpo. Não deixar o corpo ser apenas um corpo. Fabrício Carpinejar