Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo?

quinta-feira, 30 de julho de 2009




Nome próprio, esse filme me remeteu a varios pensamentos. Me fez escrever algumas coisas, e admirar um pouco mais (se isso ainda é possivel!) o cinema. principalmente o nosso cinema brasileiro. enquanto nao resolvo colocar o que andei criando, ficamos com as palavras da camila:


Hoje vou procurar a palavra que se perdeu, que escapuliu entre meus dedos, que escorreu por minhas mãos. Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não para de me levar pra longe daqui. Eu hoje vou ficar aqui quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso.
Camila Lopes.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

estamos correndo o perigo de perder uma capacidade humana fundamental: a capacidade de pôr em foco visões de olhos fechados, de fazer brotar cores e formas de um alinhamento de caracteres alfabéticos negros sobre uma página branca, de pensar por imagens.

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Adoro essa foto! :] é só luz.


“Então eu te disse que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exata. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.” Caio F.

sei que ultimamente tenho postado algumas coisa meio "pra baixo" podemos dizer assim, mas não tenho certeza se tem realmente a ver com um estado de espírito, quem sabe.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

- Pq vc me pede tanta aspirina?
Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.'

[ Clarice Lispector - A Hora da Estrela ]

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Something

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how


me falta palavras pra escrever um poema, e me falta vontade de demonstrar qualquer coisa confusa que eu esteja sentindo. mas sigo sorrindo ...

domingo, 24 de maio de 2009

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz,
É preciso ser de vez quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Fernando Pessoa- O Outro

sábado, 16 de maio de 2009

OUTUBRO

.
Trago a nova: eu mudo
lento, e é tudo

Sinto ser assim
por estações: aos turnos

Posso voltar
ao ponto de partida
mas luto

Sei que vem outubro
Flores, fruto de seiva
romperão no mundo

(Trabalho duro:
sugar de pedras
rasgar os caules
colher ar puro)

Lento e bruto
eu mudo
Sei que vem
Outubro
.
Nei Duclós

terça-feira, 14 de abril de 2009

"Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência." Karl Marx

meu humor anda o melhor possivel esses dias ... :]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

When I was a kid I used to pray every night for a new bicycle.
Then I realised God doesn’t work that way, so I stole
one and prayed for forgiveness.



- Emo Philips

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Felicidade são dias como esses


eu vejo sol, eu vejo mar, vejo noites mais que estreladas e toda uma perspectiva de sonhos e coisas boas. Férias como essas, dias como esses, são o que fazem uma pessoa feliz, e faz desse verão inesquecível. :]


“Sei o que é primavera porque sinto um perfume de pólen no ar, que talvez seja o meu próprio pólen, sinto estremecimentos à toa quando um passarinho canta, e sinto que sem saber eu estou reformulando a vida. Porque estou viva.” Clarice Lispector

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"...Esta é você, na chuva.

Nunca pensou que fosse fazer algo assim.

Você nunca se viu como - não sei como descreveria - como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber que tipo de pessoas estou falando. Talvez não saiba.

Seja como for, você gosta de ficar assim: lutando contra o frio, sentindo a água penetrar na sua camisa e a sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés e do cheiro. Do som dá água batendo nas folhas e todas as coisas que estão nos livros que você não leu.

Essa é você.

Quem teria imaginado?

Você."

Mi Vida Sin Mi 2003 ( Direção: Isabel Coixet)


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Resíduos - Carlos Drummond de Andrade

De tudo ficou um pouco.

Do meu medo. Do teu asco.

Dos gritos gagos. Da rosa

ficou um pouco.

 

Ficou um pouco de luz

captada no chapéu.

Nos olhos do rufião

de ternura ficou um pouco

(muito pouco).

 

Pouco ficou deste pó

de que teu branco sapato

se cobriu. Ficaram poucas

roupas, poucos véus rotos

pouco, pouco, muito pouco.

 

Mas de tudo fica um pouco.

Da ponte bombardeada,

de duas folhas de grama,

do maço? vazio ? de cigarros, ficou um pouco.

 

Pois de tudo fica um pouco.

Fica um pouco de teu queixo

no queixo de tua filha.

De teu áspero silêncio

um pouco ficou, um pouco

nos muros zangados,

nas folhas, mudas, que sobem.

 

Ficou um pouco de tudo

no pires de porcelana,

dragão partido, flor branca,

ficou um pouco

de ruga na vossa testa,

retrato.

 

Se de tudo fica um pouco,

mas por que não ficaria

um pouco de mim? no trem

que leva ao norte, no barco,

nos anúncios de jornal,

um pouco de mim em Londres,

um pouco de mim algures?

na consoante?

no poço?

 

Um pouco fica oscilando

na embocadura dos rios

e os peixes não o evitam,

um pouco: não está nos livros.

 

De tudo fica um pouco.

Não muito: de uma torneira

pinga esta gota absurda,

meio sal e meio álcool,

salta esta perna de rã,

este vidro de relógio

partido em mil esperanças,

este pescoço de cisne,

este segredo infantil...

 

De tudo ficou um pouco:

de mim; de ti; de Abelardo.

Cabelo na minha manga,

de tudo ficou um pouco;

vento nas orelhas minhas,

simplório arroto, gemido

de víscera inconformada,

e minúsculos artefatos:

campânula, alvéolo, cápsula

de revólver... de aspirina.

De tudo ficou um pouco.

 

E de tudo fica um pouco.

Oh abre os vidros de loção

e abafa

o insuportável mau cheiro da memória.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

"Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta ..." Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Não chegue na hora marcada ...

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo." Caio F.A. :]


*A pessoa que você mais deve amar e respeitar na sua vida é você mesma, assim o resto vem mais fácil, e se não vier mais fácil, vai ser mais rápida a cura.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

“Primeiro levaram os comunistas,

Mas eu não me importei

Porque não era comunista.

Em seguida levaram alguns operários,

Mas a mim não me afetou

Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,

Mas eu não me incomodei

Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez

De alguns padres, mas como

Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora estão me levando,

Mas já era tarde."

Bertolt Brecht

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009


"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.”  Eduardo Galeano

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto.Esse eterno levantar-se depois de cada queda."

Não me arrependo do meu modo, as vezes transloucado de sentir cada experiência, de encarar de frente a vida. Com meu modo sobrevivo e aprendo a viver. ;]


Sonho Impossível

Sonhar mais um sonho impossível.
Lutar quando é fácil ceder.
Vencer o inimigo invencível.
Negar quando a regra é vender.
Sofrer a tortura implacável.
Romper a incabível prisão.
Voar num limite improvável.
Tocar o inacessível chão.
É minha lei, é minha questão,
virar esse mundo, cravar esse chão.
Não me importa saber
se é terrível demais,
quantas guerras terei que vencer
por um pouco de paz.
E amanhã, se esse chão que eu beijei
for meu leito e perdão
vou saber que valeu delirar
e morrer de paixão.
E assim, seja lá como for
vai ter fim a infinita aflição
e o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão.

Andrew Lloyd-Weber

alguem especial me mandou esse poema e me fez chorar.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

“E com esse que eu vou desabafar na multidão...”

Volto a sentir a serenidade que tinha perdido em alguma esquina, em alguma mesa de bar junto com uns restos de cinza e um cigarro apagado. Junto dela não perdi ainda a dor que me acompanha, não só saudades, não só medo, mas dor, dor daquelas que não são só mentais, mais que se manifestam também fisicamente.

De primeira, fujo de pensar nisso, mas quando não a alternativa, e nesse caso, não há, penso algumas vezes o que cada memória significa. Cada experiência,mortal que tive, e me vejo renascendo de cada uma delas, sobrando o mais importante e essencial. Apego-me no fato das minhas decisões tomadas, serem decisivas. Penso sinceramente do que vale nossos sentimentos agora? Eles são apenas reflexos. De nada valem nem os sentimentos, nem as transloucadas demonstrações de que ainda há algo. Resta seguir enfrente, em paz, com as opções tomadas. Na certeza da construção de algo melhor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Mar azul, pensamentos


Ai meu deus,como dói aquela sensação, a de estar a beira do abismo mais não poder se mexer.

Não pode ficar, mas também não pode partir.

Ela queria muito mais, mas se perdia, pelos trilhos, pelos sonhos, pelos socos da vida.

E as cores iam aparecendo, rodopiando a sua volta, volta e meia, ficava tudo preto e branco, mas depois as cores voltavam a brilhar, uma a uma depois todas. E isso ia se repetindo, repetindo...

Tudo brilhando, sentava vendo o mar sentia-se inundada de novo, mas quando não brilhava era vendo o mesmo mar que ela pedia respostas, que talvez nunca viriam.

E ia se questionando, cada passo, cada tropeço, cada tensão, analisando tudo.

Palavra por palavra, ela tentava botar tudo no lugar, como um quebra cabeça que misteriosamente não fazia sentido. Aumentando a inquietação, criando um vazio, que a separava cada vez mais dela. O vazio que talvez jamais fosse conseguir entender.

Nessas procuras às vezes achava um pedaço seu, às vezes, numa curva mais profunda, deixava uma parte dela.

Idas e idas, e cada vez mais idas pelas perguntas, algumas com respostas, a maioria não. Numa roda gigante de emoções, ainda restava o fato que não sabia. Será que conseguirá pular quando chegar à hora? Será? Será que seria capaz de abandonar o medo?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Mundo Grande", Carlos Drummond de Andrade

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
Por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias: preciso de todos.